A sensibilidade das crianças me encanta cada vez mais. Um dia desses, o Bruninho, um menino adorável de 5 anos que se auto-apelidou de Bubu Pititinho, me deu mais uma lição de vida. Coisa que ele, por ser muito esperto, faz com frequência com toda a família.
Bubu é meu primo e nos damos muito bem. Sempre que vem aqui em casa, é no meu quarto que ele quer ficar, na minha cama que quer deitar, comigo que quer brincar...
Há alguns dias vivemos um momento muito especial. Passamos o dia inteiro na praia brincando de fazer castelinho de areia e competindo pra ver quem jogava mais água em quem... Muito sol, mar, areia... No final do dia estávamos exaustos e muito felizes... No carro, voltando pra casa, Bruninho deitou a cabeça no meu colo pra descansar... Eu levei meus lábios em direção a sua testa e dei-lhe um beijo demorado e forte... Depois dei um abraço gostoso, daqueles que conseguem fazer com que você se esqueça de tudo aquilo que lhe faz mal... Sem nenhuma palavra...
Quando o soltei e me afastei, ele me olhou nos olhos... E, sem rodeios e com aquele olhar de quem não se preocupa em mostrar a alma, disse: "Eu TAMBÉM te amo..."
Eu sorri imediatamente enquanto ouvia a mãe dele e meu irmão falando: "eita menino convencido... ela não disse que te amava...". Ele sorriu pra mim. Logo fechou os olhinhos e dormiu com a certeza de que eu também o amava, apesar de eu não ter dito.
Isso mesmo, Bruninho, tem coisas que não precisam ser ditas... Eu que tenho a maior dificuldade para falar dos meus sentimentos fiquei me perguntando porque todas as pessoas não poderiam ser assim. Seria tão melhor. Nunca mais precisaríamos discutir relação com ninguém. Conhecendo e respeitando o outro, saberíamos a hora certa de nos aproximar ou nos afastar, sem precisar de explicações...
Parece covardia da minha parte e talvez seja mesmo... Mas me calar muitas vezes é o jeito que eu encontro de entender melhor o que eu mesma sinto... De não falar enquanto não tenho certeza das coisas, enquanto tudo o que existe são sensações e sentimentos confusos... Infelizmente, algumas pessoas que me são caras não conseguem entender isso... São pessoas muito diferentes de mim, pessoas que precisam dar voz aos pensamentos antes mesmo de amadurecê-los. É verdade que muitas vezes eles nem chegam a essa fase "madura". Morrem antes. Nesses casos, o silêncio me parece ainda mais inevitável.
Fico triste com isso mas eu não me sinto na obrigação de verbalizar um passo a passo do que se passa na minha cabeça e no meu coração... Enquanto eu ainda estou tentando entender um sentimento que acontece em mim, como pode outra pessoa se achar no direito de cobrar uma definição do que ele é?
Eu amo o Bruno... Apesar de eu nunca ter falado, ele sentiu... Prefiro sentir do que falar... Mas isso, para alguns, pode ser pedir demais...
" Me arrependo de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio." (Xenócrates - 314 a.C)
segunda-feira, 1 de junho de 2009
Dentro de mim
A sensibilidade das crianças me encanta cada vez mais. Um dia desses, o Bruninho, um menino adorável de 5 anos que se auto-apelidou de Bubu Pititinho, me deu mais uma lição de vida. Coisa que ele, por ser muito esperto, faz com frequência com toda a família.
Bubu é meu primo e nos damos muito bem. Sempre que vem aqui em casa, é no meu quarto que ele quer ficar, na minha cama que quer deitar, comigo que quer brincar...
Há alguns dias vivemos um momento muito especial. Passamos o dia inteiro na praia brincando de fazer castelinho de areia e competindo pra ver quem jogava mais água em quem... Muito sol, mar, areia... No final do dia estávamos exaustos e muito felizes... No carro, voltando pra casa, Bruninho deitou a cabeça no meu colo pra descansar... Eu levei meus lábios em direção a sua testa e dei-lhe um beijo demorado e forte... Depois dei um abraço gostoso, daqueles que conseguem fazer com que você se esqueça de tudo aquilo que lhe faz mal... Sem nenhuma palavra...
Quando o soltei e me afastei, ele me olhou nos olhos... E, sem rodeios e com aquele olhar de quem não se preocupa em mostrar a alma, disse: "Eu TAMBÉM te amo..."
Eu sorri imediatamente enquanto ouvia a mãe dele e meu irmão falando: "eita menino convencido... ela não disse que te amava...". Ele sorriu pra mim. Logo fechou os olhinhos e dormiu com a certeza de que eu também o amava, apesar de eu não ter dito.
Isso mesmo, Bruninho, tem coisas que não precisam ser ditas... Eu que tenho a maior dificuldade para falar dos meus sentimentos fiquei me perguntando porque todas as pessoas não poderiam ser assim. Seria tão melhor. Nunca mais precisaríamos discutir relação com ninguém. Conhecendo e respeitando o outro, saberíamos a hora certa de nos aproximar ou nos afastar, sem precisar de explicações...
Parece covardia da minha parte e talvez seja mesmo... Mas me calar muitas vezes é o jeito que eu encontro de entender melhor o que eu mesma sinto... De não falar enquanto não tenho certeza das coisas, enquanto tudo o que existe são sensações e sentimentos confusos... Infelizmente, algumas pessoas que me são caras não conseguem entender isso... São pessoas muito diferentes de mim, pessoas que precisam dar voz aos pensamentos antes mesmo de amadurecê-los. É verdade que muitas vezes eles nem chegam a essa fase "madura". Morrem antes. Nesses casos, o silêncio me parece ainda mais inevitável.
Fico triste com isso mas eu não me sinto na obrigação de verbalizar um passo a passo do que se passa na minha cabeça e no meu coração... Enquanto eu ainda estou tentando entender um sentimento que acontece em mim, como pode outra pessoa se achar no direito de cobrar uma definição do que ele é?
Eu amo o Bruno... Apesar de eu nunca ter falado, ele sentiu... Prefiro sentir do que falar... Mas isso, para alguns, pode ser pedir demais...
" Me arrependo de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio." (Xenócrates - 314 a.C)
Assinar:
Postar comentários (Atom)

3 comentários:
Tenho muito amor pelas palavras. São minha vida, minha alma, meu eu. Mas ficam sempre assim, ressoando dentro de mim ou delicadamente pousadas em meus textos. Escrever também é silêncio. O amor é silencioso, o olhar é silencioso, assim como o abraço, a lágrima, o nascer e o morrer do sol.
Compartilho de teu apreço pelo silêncio, ele sempre é sincero.
Não sabia do blog.
Adorei, beijos!!
Oi Cecília! Quanto tempo! Navegando esbarrei aqui. Lendo seu texto fiquei emocionado. Parabéns!
Abraço.
Pablo Nicolas
www.pablonicolasphoto.blospot.com
Que bom que gostaram, queridos! Fico feliz!
Postar um comentário