quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Considerações sobre felicidade I

Não sei explicar o motivo mas sinto uma alegria imensa quando vejo pessoas caminhando na rua sozinhas, com o pensamento longe e um sorriso de orelha a orelha estampado no rosto... Essa felicidade tão intensa que mal se consegue esconder, me atinge a alma como uma flecha... E me faz sorrir, no instante exato em que sou atingida...

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Difícil fotografar o silêncio - Manoel de Barros

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Dentro de mim

A sensibilidade das crianças me encanta cada vez mais. Um dia desses, o Bruninho, um menino adorável de 5 anos que se auto-apelidou de Bubu Pititinho, me deu mais uma lição de vida. Coisa que ele, por ser muito esperto, faz com frequência com toda a família.
Bubu é meu primo e nos damos muito bem. Sempre que vem aqui em casa, é no meu quarto que ele quer ficar, na minha cama que quer deitar, comigo que quer brincar...
Há alguns dias vivemos um momento muito especial. Passamos o dia inteiro na praia brincando de fazer castelinho de areia e competindo pra ver quem jogava mais água em quem... Muito sol, mar, areia... No final do dia estávamos exaustos e muito felizes... No carro, voltando pra casa, Bruninho deitou a cabeça no meu colo pra descansar... Eu levei meus lábios em direção a sua testa e dei-lhe um beijo demorado e forte... Depois dei um abraço gostoso, daqueles que conseguem fazer com que você se esqueça de tudo aquilo que lhe faz mal... Sem nenhuma palavra...
Quando o soltei e me afastei, ele me olhou nos olhos... E, sem rodeios e com aquele olhar de quem não se preocupa em mostrar a alma, disse: "Eu TAMBÉM te amo..."
Eu sorri imediatamente enquanto ouvia a mãe dele e meu irmão falando: "eita menino convencido... ela não disse que te amava...". Ele sorriu pra mim. Logo fechou os olhinhos e dormiu com a certeza de que eu também o amava, apesar de eu não ter dito.
Isso mesmo, Bruninho, tem coisas que não precisam ser ditas... Eu que tenho a maior dificuldade para falar dos meus sentimentos fiquei me perguntando porque todas as pessoas não poderiam ser assim. Seria tão melhor. Nunca mais precisaríamos discutir relação com ninguém. Conhecendo e respeitando o outro, saberíamos a hora certa de nos aproximar ou nos afastar, sem precisar de explicações...
Parece covardia da minha parte e talvez seja mesmo... Mas me calar muitas vezes é o jeito que eu encontro de entender melhor o que eu mesma sinto... De não falar enquanto não tenho certeza das coisas, enquanto tudo o que existe são sensações e sentimentos confusos... Infelizmente, algumas pessoas que me são caras não conseguem entender isso... São pessoas muito diferentes de mim, pessoas que precisam dar voz aos pensamentos antes mesmo de amadurecê-los. É verdade que muitas vezes eles nem chegam a essa fase "madura". Morrem antes. Nesses casos, o silêncio me parece ainda mais inevitável.
Fico triste com isso mas eu não me sinto na obrigação de verbalizar um passo a passo do que se passa na minha cabeça e no meu coração... Enquanto eu ainda estou tentando entender um sentimento que acontece em mim, como pode outra pessoa se achar no direito de cobrar uma definição do que ele é?
Eu amo o Bruno... Apesar de eu nunca ter falado, ele sentiu... Prefiro sentir do que falar... Mas isso, para alguns, pode ser pedir demais...
" Me arrependo de coisas que disse, mas jamais do meu silêncio." (Xenócrates - 314 a.C)

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Capuz sm. Proteção para a cabeça

Falta paciência para me aprofundar... Uma espécie de preguiça para qualquer tipo de relacionamento com outra pessoa adulta... É, adulta... Para as crianças sobra paciência. Talvez pela possibilidade de total transparência. As máscaras são artifícios exclusivos dos adultos... Máscara para simular sabedoria ou para simular ignorância... Máscara de alegria ou de tristeza... Depende do que o momento pede e não do que a alma sente. Estou com preguiça para escolher as minhas. Será que saio sem máscara? Ou fico reclusa? Não sei... Talvez seja melhor usar um capuz.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Em busca de personagens...

Recentemente fiz uma viagem ao Rio de ônibus. Depois de muito tempo como frequentadora assídua de aeroporto, resolvi encarar todos os encantos de uma rodoviária de cidade grande. Tudo isso porque fiquei indignada com os preços da ponte aérea para quem precisa comprar sua passagem em cima da hora.
Como sou uma otimista convicta, comecei a pensar que a experiência seria enriquecedora como pesquisa de campo. Quando saí de São Paulo, estava cansada demais para pensar em qualquer coisa que não fosse levar o meu corpinho até o meu lugar no ônibus. Dormi nos primeiros segundos e só acordei no Rio.
Passei dias maravilhosos na cidade, como sempre. Na volta, na rodoviária do Rio, encontrei uma amiga que não via há muito tempo. No meio da conversa, contei da minha angústia em encontrar e fotografar pessoas que tivessem histórias interessantes para contar. Pessoas de todas as classes, raças e religiões com histórias capazes de fascinar seus ouvintes. "Quero personagens interessantes", eu dizia para ela.
De repente, sai do desembarque uma mulher negra, 50 e poucos anos, com um lenço estampado enrolado na cabeça. Ela vestia uma camisetinha pink e uma saia, bem acima do joelho, com estampas florais no mesmo tom da blusa. Primeiro, me chamou atenção o som dos seus tamancos, aqueles de madeira que foram moda há alguns anos, batendo no chão como se quisessem chegar no centro da Terra. Ela berrava para quem quisesse ouvir: "Eu não tenho medo não!!! Vai fazer o que?!? Vai me matar? É isso mesmo! Todo mundo sabe que só tem marginal aí! Tem esquema pra pegar droga nesses ônibus todos!!! Até com os policiais!" E apontava o dedo na cara dos policiais da rodoviária.
Eu comecei a rir sozinha. Ela passou do meu lado, me empurrou com uma de suas sacolas, me olhou e disse: "é tudo bandido!!!". A mulher fez um escândalo e eu achei que ela pudesse ser um bom personagem. Um personagem engraçado. Alguém interessante para bater um papo às 23h40, enquanto esperava a hora do meu ônibus sair. Por um segundo, pensei: "vou falar com ela!". Mas no segundo seguinte, lembrei: "Droga!!! estou sem minha câmera". E a fotógrafa ansiosa por novos personagem perdeu uma oportunidade por estar sem o seu instrumento de trabalho. Isso quase não acontece comigo! Mas aconteceu e eu perdi uma chance.
Às vezes tenho inveja dos repórteres de texto, eles só precisam do bloquinho e da caneta ou da própria memória para contar uma história. O repórter fotográfico não é ninguém sem sua câmera. A imagem ficou na minha cabeça mas não posso mostrá-la. Simplesmente porque não estava lá com o meu "corpo"... Estava só com a alma...

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Amanhã há de ser outro dia...

Hoje, fechei os olhos e lembrei... Com uma saudade que chega a doer mas que vai passar...

sexta-feira, 25 de julho de 2008

Pedra do Arpoador, uma segunda-feira, às 16h51

Tenho uma facilidade incrível para guardar imagens na memória... Fecho os olhos e sou capaz de rever uma cena com uma riqueza de detalhes na qual poucos acreditariam. Talvez isso tenha alguma relação com o fato de eu ser fotógrafa, de ser uma apaixonada por imagens. Posso não guardar números, nomes e até palavras pouco usadas, mas imagens guardo muito bem. Resgatar uma cena significa ter de volta a sensação do momento, o cheiro, a temperatura e até o gosto associados a ela.
Este pôr-do-sol me preenche de paz. Sempre que sinto necessidade, fecho os olhos e evoco essas imagens. Imediatamente, sou impregnada pela maresia. Sinto o vento no meu rosto. Escuto o barulho das ondas que alcançam as pedras. As cores vão perdendo a saturação diante de um sol cada vez mais tímido. E até aquela agitação dos surfistas que esperam o sol baixar para entrar no mar soa como música para os ouvidos. Meu amor por este lugar é incondicional. Posso não voltar a morar no Rio, o que eu acho improvável, mas ele estará sempre comigo. Carrego na alma que reflete a paz que ele me dá.